A coisa é bem sintomática, mesmo: quando não se tem nada a dizer e tenta-se, de modo desajeitado, fazer as palavras virem (sic?) à luz de qualquer jeito, o resultado é ridiculamente previsível: merda, só merda. Tenho rondado por blogs alheios, achados ao acaso, e tenho encontrado, quase sempre, coisas de certo valor, palavras e frases e metáforas bonitas de jovens envoltos em suas próprias redomas de ensimesmamento e desajuste. E a coisa é lírica, em certo sentido, a coisa toda ultrapassa as fronteiras do subjetivismo e pode ser apreciada pelos outros. Mas não. É claro que não quero escrever palavras bonitas e lançar uma frase de efeito a cada parágrafo... Isso não me importa, isso vale menos que a porra dos seus óculos escuros e o seu estilo alternativo pestilento. Refiro-me à lírica resultante da sinceridade, à verdade que, de modo patente, transpira das linhas, das palavras, de cada vírgula. À capacidade de transformar meras idiossincrasias mentais (hein?), resultados de momentos solitários de reflexão e sofrimento, em arte (escrever só para si importa?). O escarro, o mijo, a coceira no saco, o túnel sem luz no seu fim, são essas coisas que tento, sem êxito, registrar. O fato é que a minha situação é muito cômoda. Com tudo se acostuma. Não sou insano, mas gostaria. Não me falta grana, por bem ou por mal. Os livros têm me dado tanto, e eu ainda perco tempo vendo tv. Ainda olho pra porra do espelho do banheiro antes de sair de casa. A minha cruz pesa menos do que muitas outras: lamento demais por pouco. Tanto estardalhaço para isso: é, é. Paciência. A coisa é bem sintomática, mesmo. Pura matemática. Vazio aqui, vazio aqui. Pergunto-me como tenho coragem de postar coisas tão medíocres - como o Hamilton disse, não saio do lugar, o Henry permanece na mesma. Mas serei insistente. Não gostaria de ser nenhuma outra pessoa, com nenhuma outra mente. Eu sou eu, porra, e um dia a coisa chega. Não acredito no homem, mas devo ter plena fé em mim e nas potencialidades da minha consciência. Eu estou respirando, caralho, e os meus olhos podem enxergar e um dia hão de Ver.
Já caguei aqui. Vou ao banheiro dar uma mijada e volto logo.
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