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Segunda-feira
Quanta bosta já foi expelida por quantas pessoas que viveram e morreram neste planeta, ponto negro dentro do turvo e do incerto? Agora é a nossa vez. Consegue imaginar, meu caro senhor, simplesmente imaginar o nosso planeta - nós dentro, cagando na latrina e quebrando garrafas e fodendo mecanicamente - em rotação, o azul visto lá de cima?, e à medida que nos aproximamos vemos mais claramente as ilhas artificiais de Dubai, a muralha da China, as Malvinas, mais perto um vulcão, a fumaça expelida, mais perto as luzes, as mulheres passando roupa e desconfiando, submissas, da demora dos maridos, as avenidas indistintas, os ônibus carregando sardinhas, futuros cancerosos, mais perto e você já ouve o barulho, sente o cheiro da fumaça, pode ver, mais, mais, o cachorro lambendo a própria merda, o sussurro do adultério, os gritos abafados do estupro, dos homicídios em terrenos baldios e ruas isoladas, chegue mais perto e ouvirá o barulho das estocadas do pai na filha, a faca indo e vindo na carne inocente, alva, o bater de dentes de velhos sem casacos, sem comida e sem caixão, perceberá os pequenos atos de hipocrisia e falta de educação e piedade de todos os filhos da puta desta ilusão terrestre. O cheiro de cachaça do velhote... O forte cheiro de mijo das esquinas... Inspire mais uma vez... E de novo. Um suicídio a cada 40 segundos... Os alienígenas ainda não entraram em contato porque perceberam que não vale a pena... (A merda líquida daqueles que têm consciência do plano superior vale euros...)