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Terça-feira

Por Hamilton Fernandes e Hélio Hideki


O desespero azul de um terminal vazio
O abismo que o recém-nascido desconhece – e também
eu

O desabamento do céu da gengiva
Corrimentos vaginais na calçada

Que me importa o formato de seus pelos púbicos, se
Eu posso rasgar o aço com minhas próprias mãos

Os livros e os bons filmes e os dias de céu limpo e
as vaginas sedentas por
sexo não me confortam

Um mundo imundo – um cérebro-intestino

Os ônibus carregando os trabalhadores de volta para
casa,
[os bebês dormindo, bajulados,
[vivendo, esquecendo, esquecendo...

O Universo foi calculado errado...

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Pedaços de ilusão – um buraco sem fim
O câncer corrói as entranhas do velho decrépito,
que geme, sozinho,
A aritmética do lixo, das formigas carnívoras
Pra rabuda que passa, sou menos que nada
E uma vagina no umbigo e na testa

Além das nuvens, Júpiter, Saturno, os marcianos
Esperando uma resposta sem sentido

Resignado, o homem-cão fecha os olhos diante do
choque
                              inevitável – a verdade, a
                       libertação

Porque as drogas da farmácia não podem curar a
dor...

Embriagado, as luzes de néon confundem-me e
Ainda não inventaram um deus para sua solidão.


(Poemas de 2009, escritos no bar, a partir da "(anti-)técnica dadá-surrealista Cadavre exquis". Ao Hamilton, pela parceria e a permissão para que eu republicasse os textos aqui, um muito obrigado.)